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Cana: risco de redução do etanol na gasolina acende alerta

“Outro risco é a migração dos produtores de cana para outras culturas que oferecem melhor rentabilidade"

O maior risco que o setor sucroalcoleiro corre hoje é ver a mistura de etanol na gasolina ser reduzida pelo governo federal por conta de um potencial problema de desabastecimento. As afirmações são de Arnaldo Luiz Corrêa, consultor, palestrante, técnico para arbitragens e professor de gestão de risco em commodities agrícolas, em seu perfil no LinkedIn. “Esse é um cenário que deve ser evitado a qualquer custo, pois coloca em xeque a expansão, a consolidação e a sustentabilidade do setor”, afirma.

“Outro risco é a migração dos produtores de cana para outras culturas que oferecem melhor rentabilidade, maior flexibilidade e maior disponibilidade de instrumentos financeiros que lhes permitam maximizar os ganhos na produção. Veja a soja, por exemplo. O produtor da leguminosa consegue por meio de uma operação de barter, com emissão de CPR junto às principais empresas de fertilizantes e insumos trocar sacos de soja por unidades desses produtos, se livrando do risco nocivo de variações de preço. O fornecedor/produtor de cana não encontra essa facilidade”, completa.


Outro ponto que merece ampla discussão, segundo ele, é o Consecana, a metodologia que define a remuneração do produtor de cana, que sempre buscou representar com maior transparência possível o valor da cana dentro da cadeia produtiva. “Ninguém duvida que se trata de um modelo que fez sucesso a ponto de ser copiado por outros produtos agrícolas. No entanto, modelos precisam ser atualizados de tal maneira que melhorem a efetividade e otimizem resultados na continua busca pela eficiência”, indica.


“Mas, o que está faltando ao Consecana? Já há alguns anos tenho alertado acerca da ineficiência do indicador quando nos deparamos com mercados invertidos, que é o caso agora. Primeiramente, vamos explicar o que é um mercado invertido: é quando o preço dos contratos futuros com vencimento mais curto é maior do que o preço dos contratos futuros com vencimento mais longo. Isso normalmente ocorre quando existe uma disponibilidade menor do produto ou quando a curva da moeda (real) distorce os preços futuros em centavos de dólar por libra-peso em função da disparidade entre as taxas de juro interna e externa, que é o caso agora”, conclui.

 
 
 

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