Conheça o Boi 777, criado a partir tecnologias que estimulam ganho de peso
- Sergio braspulv

- 17 de mai. de 2021
- 4 min de leitura
Técnicas de manejo, genética e alimentação contribuem para aumentar a produtividade do rebanho.

Meta é que animal ganhe sete arrobas em cada etapa de seu desenvolvimento: cria, recria e engorda.
Você já ouviu falar do Boi 777? É um animal de corte criado a partir de técnicas que estimulam o seu ganho de peso, ajudando, assim, o produtor a aumentar a produtividade do seu rebanho.
O pacote tecnológico, que inclui técnicas de manejo, genética, alimentação e equipamentos, foi desenvolvido em uma unidade da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo no município de Colina.
O trabalho começou em 2007 e foi ganhando consistência pelas mãos dos zootecnistas Gustavo Rezende Siqueira e Flávio Resende.
As técnicas têm o objetivo de fazer com que o boi ganhe sete arrobas durante as suas três etapas de desenvolvimento: cria, recria e engorda. No final do processo, ele pode ganhar 21 arrobas, em um prazo de 2 anos.
"É como se fosse uma caixa de ferramentas. Cada hora, para você consertar uma coisa, você vai pegar uma chave de fenda. Outra hora precisa de uma marreta", ilustra Siqueira, integrante da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) do governo paulista.
É importante lembrar que cada arroba corresponde a 15 quilos. E, no caso da criação de gado de corte, ela é sempre calculada sem o peso do sangue, do couro e das vísceras.
De um boi vivo, por exemplo, carne e osso equivalem de 50% a 56% do animal. Essa é chamada carcaça, o produto que o pecuarista negocia em arroba frigorífico.
Confira a seguir exemplos de uso das técnicas do Boi 777 em cada uma das 3 etapas de desenvolvimento.
Cria
A cria corresponde à fase que vai do nascimento até a desmama do bezerro. Em uma propriedade do município de Santa Vitória, em Minas Gerais, as técnicas voltadas para esta etapa têm foco na vaca, ou seja, na mãe do bezerro, o que, por si só, já representa uma grande mudança para o setor.
"Ao logo da história da pecuária, a vaca sempre foi deixada para um segundo ou terceiro plano. Se tem um pasto muito passado, muito ruim, quem vai para lá? A fêmea", lembra Siqueira.
"E na verdade, hoje, a vaca ganha um status de prioridade em fazenda para quê? Para te dar um bom produto, para você ter uma boa resposta ao longo da vida produtiva daquele animal. Então a gente precisa começar bem", acrescenta.
Por isso que a fazenda vem modernizando as suas técnicas de manejo, optando por trabalhar com a inseminação artificial no lugar do touro.
"Com a inseminação artificial, nós aumentamos a velocidade de ganho genético" afirma Marcelo Tonello, da Mafra Agropecuária.
Esse ganho genético corresponde a ganho de peso; conversão alimentar, que é quando o animal transforma o que come em carne de forma mais eficiente; qualidade da carcaça, que significa um produto mais macio e saboroso e precocidade.
Melhora na performance das fêmeas
Ultimamente, o mercado do boi gordo tem recompensado o bom trabalho na criação dos bezerros e das matrizes.
A busca por animais jovens para repor o rebanho deu a devida importância para essa categoria de animais. Nesse contexto, melhorar a performance das fêmeas se tornou ainda mais essencial, principalmente na primeira gestação.
"O que a gente está fazendo, para seguir aquela mesma ideia do macho, é que a gente quer acelerar ele, fazer um animal produtivo. E que ele chegue ao abate aos 24 meses. A novilha, eu quero que ela venha a parir aos 24 meses. É o que a gente chama de fazer a tal da precocinha", afirma Siqueira.
Com 24 meses, era para a vaca estar com a primeira gestação. Mas, com as técnicas, ela pode alcançar, com essa mesma idade, a segunda gestação e estar com o bezerro no pé.
Para que a precocinha consiga fazer isso, ela precisa emprenhar pela primeira vez aos 14,16 meses. E estar com um peso aproximado de 280 quilos. Para atingir essa meta, a fazenda usa um hormônio permitido para antecipar o cio, além de muita comida no cocho.
"A base da nutrição é o pasto", diz Siqueira. "Mas o cocho é um grande aliado que a gente tem para quê? Para conseguir fazer com que a gente alcance as metas. Você tem que estar atento ao que está acontecendo naquele ano e qual é o seu desafio daquele ano".
Porém, o caminho para alcançar cada objetivo vai depender da condição climática, do gado e do resultado deste. "O produtor tem que estar com a cabeça aberta para entender que ele tem que pensar no desafio. E não numa receita travada", ressalta Siqueira.
Recria
A recria, que prepara o gado para o último momento antes do abate, tem como principal desafio dar continuidade ao ganho de peso e evitar o chamado "efeito sanfona".
E, para que o boi tenha um ganho próximo das sete arrobas na recria, é preciso ter pasto de qualidade e suplementação, segundo o pecuarista Fernando Costa, que também é de Santa Vitória, em Minas.
Em qualquer fase da vida dos animais, a ração é sempre um complemento de proteína, energia, minerais e vitaminas. A quantidade de cada ingrediente e o peso total disponível no cocho variam de acordo com a idade e as metas do criador.
"É uma coisa diária. Todos os dias. O ano todo. Precisa ter o mesmo, a mesma sequência de trabalho. O interessante é que você dá continuidade a uma alimentação de qualidade. Substituindo o leite da vaca por uma dieta balanceada, para que ele tenha um ótimo ganho de peso."
De um modo geral, a fase da recria pode ser considerada a adolescência do animal. E, como essa etapa começa justamente quando o bezerro é separado da vaca, o seu início merece uma atenção redobrada, pois há um estresse nessa separação, comenta o zootecnista da APTA, Flávio Dutra Resende.
fonte:https://g1.globo.com/economia/agronegocios/globo-rural/noticia/2021/05/09/conheca-o-boi-777-criado-a-partir-tecnologias-que-estimulam-ganho-de-peso.ghtml




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